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AF 447: Após dois anos, incógnitas ainda marcam investigações

terça-feira, 31 de maio de 2011


AF 447: Após dois anos, incógnitas ainda marcam investigações

,  Redação, com BBC - de Paris


Destroço do avião foi recuperado do Oceano Atlântico
O aniversário de dois anos do acidente com o voo 447 da Air France, que caiu no Atlântico quando fazia a rota Rio-Paris, é marcado por avanços nas investigações técnicas, embora ainda existam várias incógnitas, assim como pela expectativa dos familiares em relação à identificação das vítimas resgatadas neste mês.
– Há dois anos, não tínhamos nenhuma informação precisa. Nesses dois últimos meses, localizamos as caixas-pretas e dispomos agora de todos os elementos para compreender o que ocorreu –, afirma Alain Bouillard, do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), investigador-chefe do acidente com o voo AF 447.
O avião decolou às 22h29 GMT (19h30 no horário de Brasília) do dia 31 de maio de 2009 com 228 pessoas a bordo e caiu pouco menos de quatro horas depois a cerca de 1,1 mil Km da costa brasileira.
Pela primeira vez desde a catástrofe, o BEA confirmou, na última sexta-feira, que a pane nas sondas de velocidade do Airbus foi o ponto de partida de uma série de eventos que levaram ao acidente.
– Se o problema nas sondas não tivesse ocorrido, não teria havido o acidente –, declarou o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.
As famílias, no entanto, deverão aguardar até o final de julho, quando será divulgado um relatório intermediário, para saber as primeiras conclusões sobre as causas do acidente. Os resultados definitivos das investigações só serão anunciados no próximo ano.
A atual fase de buscas pelos destroços do voo AF 447 já resultou no resgate de 75 corpos, informou a associação de familiares das vítimas, que diz ter recebido a informação de autoridades francesas.
A estes 75 se somam outros dois outros corpos retirados do fundo do mar no início de maio e 50 corpos resgatados em etapas anteriores de buscas. Assim, o total de restos mortais encontrados até o momento é de 127.
Sondas
Por enquanto, sabe-se que a pane nos sensores de velocidade comprometeu a ação dos pilotos e pode ter induzido a erros de pilotagem.
Especialistas sugerem que o BEA estaria dando destaque para eventuais falhas dos pilotos após o incidente com as sondas – declarando que em casos semelhantes a tripulação havia conseguido recuperar o avião – porque isso seria uma forma de reduzir as indenizações a serem pagas às famílias.
Em razão do provável congelamento em alta altitude, as sondas Pitot passaram a enviar informações contraditórias sobre a velocidade do avião aos computadores de bordo, o que acarretou o desligamento do piloto automático.
O avião passou, então, a ser comandado manualmente, sem os sistemas eletrônicos de proteção ligados à pilotagem automática.
O Airbus sofreu uma perda de sustentação, causada pela baixa velocidade da aeronave antes da queda, e despencou em 3 minutos e meio a uma velocidade de 200 Km/hora, segundo o BEA.
Após a divulgação das circunstâncias do acidente, na sexta-feira, surgiram questionamentos sobre a decisão da tripulação de levantar o nariz do avião para ganhar altitude depois que os alarmes de perda da sustentação dispararam. O ato foi comparado a subir uma ladeira correndo no momento em que se está sem fôlego.
O procedimento adequado seria o oposto: baixar o nariz do avião para ganhar velocidade com a descida e recuperar assim a força de sustentação da aeronave.
– Se os pilotos decidiram levantar o nariz é porque a velocidade indicada, que curiosamente o BEA não revela no comunicado, estaria superestimada. Os pilotos agiram mal porque não tinham os instrumentos em funcionamento –, disse Gérard Arnoux, co-autor de uma investigação paralela sobre as causas do acidente com o voo AF 447 e piloto de aviões Airbus.
Segundo Arnoux, o Airbus se tornou “irrecuperável” porque o chamado “plano horizontal regulável” (ângulo formado entre a asa traseira e o vento) passou de 3° para 13° em apenas um minuto e permaneceu assim até o final do voo, comandado pelos computadores de bordo, que se basearam em dados falsos de velocidade.
– Há o risco de ultrapassar um certo ângulo de incidência, como admite a própria Airbus. Não dá mais para recuperar o avião. É um problema de aerodinâmica do Airbus, que permaneceu com a asa traseira empinada, levantando a aeronave –, afirma.
Além de aguardar novos dados sobre as investigações, os parentes das vítimas também esperam a futura identificação dos 77 corpos resgatados nos últimos dias, que será realizada na França. As operações de resgate devem ser encerradas até o dia 1° de junho.
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