MÚSICA CLÁSSICA
Reabre o Municipal de São Paulo
Desde junho de 2008 o Municipal, inaugurado em 1911, passava por obras de restauro e conservação que terão custado em torno de 30 milhões de reais. Por Clóvis Marques
Três anos depois, o Teatro Municipal de São Paulo, fisicamente renovado e administrativamente reformado, reabre no próximo dia 12 de junho (10 e 11 para convidados) com um concerto da sua Orquestra Sinfônica Municipal sob a regência do novo diretor musical, o maestro Abel Rocha.
Desde junho de 2008 o Municipal, inaugurado em 1911, passava por obras de restauro e conservação que terão custado em torno de 30 milhões de reais. Foram realizados trabalhos na fachada, nos vitrais e no telhado, além recuperação de obras de arte e áreas internas, mas sobretudo se promoveu a modernização do palco, dos equipamentos cênicos e do tratamento acústico do auditório.
A grande novidade, contudo, é que o prefeito sancionou uma lei criando a Fundação Teatro Municipal de São Paulo, com o objetivo de dar à casa certa autonomia administrativa e maior eficiência.
Será uma fundação de direito público, com um Conselho Deliberativo presidido pelo secretário municipal de Cultura e tendo cinco de seus onze membros indicados pelo governo. Além do conselho deliberativo, a Fundação – que assumirá as atribuições hoje desempenhadas pelo Departamento de Teatros da Secretaria de Cultura – terá uma diretoria geral, um conselho fiscal e quatro diretorias setoriais (artística, de formação, de produção executiva e de gestão).
Debatida acaloradamente na pauliceia, a questão se centra em saber em que medida uma organização social – entidade civil sem fins lucrativos que será chamada a prestar serviço à Fundação na contratação de produções e artistas – terá apoio e liberdade para permitir galgar patamares de qualidade há tanto tempo fora do alcance dos teatros de ópera brasileiros – embora o Municipal de São Paulo em anos recentes tenha dado mostra de dinamismo e imaginação muito maiores que o do Rio. O novo esquema também facilitará, em tese, a atração de financiamentos privados.
“Não será uma fundação em que o governo determinará de cima para baixo o que deverá ser feito”, disse o secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, em audiência pública. “Terá de haver negociação entre os funcionários, os representantes dos funcionários e dos artistas, os representantes da sociedade e os membros do governo. Parece-me uma composição bastante democrática.”
Mas tem sido lembrado que nem mesmo o fato de a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), por exemplo, ter passado a ser gerida por uma fundação de direito privado a eximiu da exposição aos vaivens das vontades e caprichos políticos no estado. A Osesp é uma fundação privada de direito público, sendo autogerida por sua própria organização social. No Municipal, a fundação será pública, devendo firmar contrato com outra organização social. Questiona-se se isto de fato dará liberdade ao teatro ou se poderá perpetuar a influência da política, com seus altos e baixos, as mudanças de equipes e o consequente comprometimento da qualidade e dos projetos a longo prazo.
O maestro José Maria Florêncio, que dirigiu a Sinfônica Municipal de 2006 a 2009, pode ter botado o dedo na ferida essencial ao declarar aoEstado de S.Paulo: “É preciso dar poderes à direção artística, a um titular competente com voz alta e situação estável.”
Ao mesmo tempo dando margem aos habituais receios dos artistas-funcionários quanto a sua estabilidade, a mudança gerencial representa também um encaminhamento da confusão jurídica em que se transformaram as relações trabalhistas no Teatro Municipal. O teatro é formado por duas orquestras (Orquestra Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório), dois coros (Coral Lírico, Coral Paulistano), o Balé da Cidade e o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, duas escolas e um museu. Os artistas são contratados segundo diferentes práticas. Na orquestra profissional, por exemplo, há músicos contratados por concursos públicos realizados sob diferentes legislações e artistas com contratos temporários de prestação de serviço.
O concerto de reabertura terá um plantel espetacular de cantores brasileiros na Serenata à música de Vaughan-Williams e no Te Deum de Bruckner, além do Concerto para Quarteto de cordas e orquestra de Radamés Gnattali, com o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, e a Suíte festiva de Ronaldo Miranda.
Ao longo do segundo semestre, a programação se estenderá com cinco óperas (A Menina das nuvens, de Villa-Lobos; Rigoletto, de Verdi; L’ Enfant et les sortilèges, de Ravel; A Valquíria, de Wagner; O Morcego, de Johann Strauss), numerosos espetáculos de dança e apresentações sinfônicas, em número muito mais fornido, mais uma vez, que a programação do Municipal do Rio. Confira em www.teatromunicipal.sp.gov.br
A seguir, o maestro Abel Rocha fala do futuro próximo e da nova fase do Municipal de São Paulo.
- Como encara as mudanças no planejamento e produção das temporadas?
Abel Rocha: Finalmente, a partir da criação da Fundação, o Theatro Municipal terá meios de organizar-se com a agilidade, responsabilidade e antecedência necessárias à grandeza de seu perfil artístico. Poderá realizar parcerias de produções com outros teatros de ópera, principalmente do exterior; poderá comercializar suas produções (cenários, figurinos, encenações, etc.); contratar artistas para temporadas futuras com antecedência, para reservar agendas bastantes disputadas. Poderá ter agilidade na construção de cenários e figurinos, aluguel e compra de materiais musicais, contratos de artistas e técnicos. Isto tudo propiciará uma agilidade nunca antes experimentada e a consequente melhora na programação, que poderá ser maior, mais diversificada e com melhor qualidade artística. E poderá candidatar-se a patrocínios para suas produções.
Abel Rocha: Finalmente, a partir da criação da Fundação, o Theatro Municipal terá meios de organizar-se com a agilidade, responsabilidade e antecedência necessárias à grandeza de seu perfil artístico. Poderá realizar parcerias de produções com outros teatros de ópera, principalmente do exterior; poderá comercializar suas produções (cenários, figurinos, encenações, etc.); contratar artistas para temporadas futuras com antecedência, para reservar agendas bastantes disputadas. Poderá ter agilidade na construção de cenários e figurinos, aluguel e compra de materiais musicais, contratos de artistas e técnicos. Isto tudo propiciará uma agilidade nunca antes experimentada e a consequente melhora na programação, que poderá ser maior, mais diversificada e com melhor qualidade artística. E poderá candidatar-se a patrocínios para suas produções.
- Quais seus planos e as possibilidades que descortina na nova organização do teatro?
A. R.: O TM passará agora por um momento delicado de transição. Enquanto ainda atua com as antigas regras do sistema público, prepara toda uma nova estrutura artística e administrativa para a fundação, além de diversas atualizações de instrumental. Assim, ainda haverá bastante trabalho para a colocação em prática das novas possibilidades que a recém-assinada lei propicia. A temporada de 2012 poderá já dar indícios dessas novas possibilidades, com a vinda de produções de teatros internacionais para São Paulo, a retomada de realizações em nossa central técnica e sua preparação para grandes exigências nas próximas temporadas.
A. R.: O TM passará agora por um momento delicado de transição. Enquanto ainda atua com as antigas regras do sistema público, prepara toda uma nova estrutura artística e administrativa para a fundação, além de diversas atualizações de instrumental. Assim, ainda haverá bastante trabalho para a colocação em prática das novas possibilidades que a recém-assinada lei propicia. A temporada de 2012 poderá já dar indícios dessas novas possibilidades, com a vinda de produções de teatros internacionais para São Paulo, a retomada de realizações em nossa central técnica e sua preparação para grandes exigências nas próximas temporadas.
- Será possível planejar com mais antecedência, considerando-se que no terreno da ópera, do balé e da música de concerto as agendas internacionalmente são praticadas com anos de antecedência?
A. R.: Sim. Como disse anteriormente, porém, essa modificação será gradual, e estará plenamente funcional nas próximas temporadas. É necessário lembrar que a lei foi assinada agora, e demanda certo tempo para ser colocada em pleno funcionamento. Haverá decreto de regulamentação, convocação de conselhos, editais, contratações diversas, etc. As agendas de diversos importantes artistas para 2012 já estão ficando repletas. Assim, temos um empenho grande em relação à próxima temporada (2012), que pretendemos ter definida até o início do próximo semestre.
A. R.: Sim. Como disse anteriormente, porém, essa modificação será gradual, e estará plenamente funcional nas próximas temporadas. É necessário lembrar que a lei foi assinada agora, e demanda certo tempo para ser colocada em pleno funcionamento. Haverá decreto de regulamentação, convocação de conselhos, editais, contratações diversas, etc. As agendas de diversos importantes artistas para 2012 já estão ficando repletas. Assim, temos um empenho grande em relação à próxima temporada (2012), que pretendemos ter definida até o início do próximo semestre.



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