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O fim do mito da expansão econômica

sexta-feira, 26 de agosto de 2011


O fim do mito da expansão econômica

Até em fases boas, nem a sociedade nem o meio ambiente podem suportar o desgaste de uma economia em expansão constante. Do 'Guardian'*

Quanto do crescimento econômico dos últimos 60 anos é real? Da riqueza e do conforto, dos salários e pensões que as pessoas mais velhas aceitam como normais e até necessários? Até que ponto esta expansão econômica é uma ilusão criada por níveis de endividamento – financeiro e ecológico – que não pode ser sustentado? As maravilhas da nova economia, erigidas sobre dívidas, são vazias e sem valor.
Para sustentar a ilusão, infligimos mais danos aos sistemas vivos do planeta desde 1950 do que conseguimos em 100 mil anos. O dano permanecerá por séculos; já os benefícios podem não alcançar o fim do ano.
Uma vez que nossas necessidades foram satisfeitas, o crescimento econômico contínuo trouxe poucos benefícios à maioria das pessoas. Durante a segunda metade do frenesi do crescimento, o desemprego cresceu, a desigualdade aumentou, a mobilidade social diminuiu e os pobres perderam algumas comodidades (como moradia), enquanto os ricos aumentaram as suas.
Na semana passada, o consultor de Wall Street Nouriel Roubini, um dos poucos a prever a crise financeira, delineou o nosso problema atual. Os governos não podem bancar mais um resgate ao setor bancário. A flexibilização monetária quantitativa já não pode ajudar, nem a depreciação da moeda. A Itália e a Espanha serão forçadas, com efeito, a declarar moratória, e a Alemanha não desembolsará mais nada.
O atual sistema econômico também não consegue lidar com a crise ambiental. Seus defensores garantem que o crescimento econômico e a destruição ambiental podem ser dissociados: tecnologias mais avançadas e eficientes permitiriam o uso de menos recursos para uma produção ainda maior. Nada remotamente parecido aconteceu.
Mas agora, sob a égide dos motins ingleses e encarando um possível colapso financeiro, estamos finalmente começando a falar sobre questões ignoradas enquanto durou a ilusão: igualdade, exclusão, os extremamente ricos e os miseráveis.  O crescimento e a necessidade de mantê-lo a todo custo é o problema, e no mundo rico não há mais nenhum elo entre expansão econômica desenfreada e a prosperidade.
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