Líderes de diferentes países discute reconstrução da Líbia
Líderes de diferentes países se reunirão nesta quinta-feira em Paris para traçar um projeto para o futuro da Líbia.
A discussão acontece num momento em que os combates no país do norte africano ainda não terminaram. O coronel Muamar Gaddafi permanece foragido e rebeldes estão promovendo um cerco à sua cidade natal, Sirte.
Os opositores de Gaddafi que formam o Conselho Nacional de Transição ainda são vistos com desconfiança por algumas nações, mas já contam com o reconhecimento de cerca de 60 países, incluindo vários da União Europeia e da Liga Árabe.
Na reunião desta quinta, estarão representados até mesmo países que se opuseram à campanha aérea comandada pela Otan contra forças deGaddafi, como Brasil, Alemanha, Rússia e a China. O Brasil enviará ao encontro o embaixador Cesário Melantonio Neto.
O encontro em Paris visa estabelecer as medidas necessárias para promover a reconstrução do país, abalado por seis meses de guerra civil.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o comandante da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estarão entre os presentes. Líderes árabes, como o emir do Qatar e o rei da Jordânia, também participarão da reunião.
Objetivos
A reunião visa também reforçar a autoridade e o apoio em torno do Conselho Nacional de Transição, em meio à consolidação do controle dos rebeldes em torno da capital, Trípoli, e de outras áreas ainda nas mãos de forças leais a Gaddafi.
O ponto de partida da reunião é o de traçar metas de reconstrução nacional, mas é distinto dos princípios que nortearam a reconstrução do Iraque e do Afeganistão, já que foi o próprio povo da Líbia que se insurgiu contra o regime de Gaddafi, ainda que os rebeldes talvez não tivessem prevalecido se não fosse pelos ataques aéreos da Otan.
Mas a mudança de regime na Líbia tem sido essencialmente um projeto da Líbia e são os líbios que comandarão o processo de reconstrução de seu país no pós-guerra.
O trabalho é extenso e os problemas são inúmeros e urgentes. É preciso distribuir água, medicamentos e comida. A segurança precisa ser restabelecida, a economia e, em especial, a indústria petrolífera, precisam ser retomadas.
Existe também uma ambiciosa agenda para reconstrução política e constitucional.
Instituições democráticas precisam ser construídas praticamente do nada.
O ânimo entre os governantes dos países ocidentais parece ser positivo. Segundo uma fonte do governo britânico, ”dados os problemas que eles herdaram, o progresso do Conselho Nacional de Transição é bastante promissor”.
Reconstrução e reconciliação
Mas em um país de agudas diferenças regionais, tribais e de outras naturezas, muita coisa ainda pode dar errado. O importante é mostrar que a reconstrução e a reconciliação estão a caminho.
O Conselho de Segurança da ONU está discutindo uma resolução que liberaria os fundos da Líbia que estão bloqueados, o que permitiria que outros paises seguissem os exemplos da Grã-Bretanha e da França, que liberaram a verba líbia que haviam retido.
Mas a resolução ainda enfrenta polêmicas e sua aprovação poderá demorar alguns dias. A África do Sul é um dos países que permanecem incertos quanto a considerar o regime de Gaddafi parte do passado.
A Líbia precisa de dinheiro rapidamente, para poder pagar funcionários públicos e para retomar a atividade econômica no país. É por isso que são tão importantes as cédulas de dinheiro impressas na Grã-Bretanha e enviadas ao país por meio de aviões da Força Aérea Real britânica, com uma soma total de cerca de 280 milhões de dinares (cerca R$ 367 milhões).
Mas a Líbia, com seu potencial de lucros do petróleo e com uma população relativamente pequena, está longe de ser um caso perdido. Ela precisará de assistência para ser reconstruída.
A Grã-Bretanha e a França, que pressionaram pela campanha aérea contra as forças de Gaddafi e que comandaram a coalizão da Otan, querem despempenhar um papel de destaque na reconstrução da Líbia, assim como o tradicional parceiro econômico do país norte-africano na Europa, a Itália.
Dentro em breve deverá haver uma pressão em estabelecer transações comerciais. Nos bastidores, essa pressão pode até já ter começado.
Por enquanto, porém, a ênfase é na diplomacia. A esperança é de que um encontro mais formal dos ”amigos da Líbia” seja realizado paralelamente à Assembleia Geral da ONU, que acontece em Nova York, em setembro.




0 comentários:
Postar um comentário