Bolsas peruanas se recuperam após queda histórica por vitória de Humala
Por Redação, com agências internacionais - de Lima
Presidente eleito do Peru, Ollanta Humalaenviou novas mensagens conciliadoras ao mercado após o colapso causado por sua vitória. Ele disse que negociará com o setor de mineração sobre um aumento de impostos e que não emitirá dívida para financiar planos sociais. Humala, um militar aposentado de formação socialista, venceu por uma pequena margem a conservadora Keiko Fujimori no segundo turno das eleições de domingo. Ela era a favorita dos investidores internacionais para governar a pujante economia do país andino.
Depois da forte queda de segunda-feira, incluindo um recuo histórico de 12% na bolsa peruana, os principais ativos financeiros do país se recuperaram com força e algumas das principais mineradoras, como Xstrata e a local Buenaventura, reafirmaram seus planos de investimento. A Southern Copper, no entanto, disse que reavaliará seus investimentos de US$ 2 bilhões no Peru até que o novo governo dê sinais de confiança. O líder nacionalista disse à agência inglesa de notícias Reuters que a queda da bolsa peruana na segunda-feira foi um “baque” e que sua recuperação na terça-feira demonstrava que “a economia é sólida”.
O novo presidente, de 48 anos, antecipou que seu ministro da Economia será um funcionário experiente, em uma nova tentativa de trazer segurança para outra grande preocupação entre investidores, mas não confirmou nenhum dos nomes.
Mais impostos
Em sua campanha, Humala teve como bandeira estabelecer um imposto sobre os ganhos excepcionais das mineradoras, que têm forte rentabilidade devido aos altos preços internacionais dos minerais. Mas na terça-feira garantiu que está disposto a negociar suas propostas com as empresas, atendendo uma das demandas de uma indústria vital para o Peru, que é um forte produtor mundial de metais.
– Temos que conversar sobre a porcentagem com as empresas considerando também as margens sobre o lucro – disse.
Humala reiterou que não tem intenções de copiar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que promove uma estatização dos principais setores econômicos, e que seguirá seu próprio caminho de governo. Em sua primeira tentativa de chegar à Presidência, em 2006, Humala havia se mostrado muito próximo de Chávez, mas desta vez se distanciou do líder socialista.
– O caminho do Peru é um caminho próprio, sem copiar o de outros países. Que isso fique bem claro – afirmou.
Humala destacou em sua campanha um plano para aumentar a inclusão social em um país que ainda tem um terço da população vivendo na pobreza. E para analistas ele ainda deve provar que pode cumprir suas promessas de manter a direção de um dos países com maior crescimento em nível mundial – o Peru fechou 2010 com uma expansão de 8,8% – e ao mesmo tempo melhorar fortemente os índices sociais.
Sua equipe de transição inclui alguns tecnocratas que colaboraram com o ex-mandatário Alejandro Toledo, como Kurt Burneo, ex-vice-ministro da Fazenda e um dos apontados como possível ministro da Economia.
Volatilidade
A recuperação dos mercados na terça-feira levou o índice geral da bolsa de Lima a terminar com um ganho de 6,97%, mas especialistas esperam mais dias de agitação.
– A incerteza vai continuar reinando no Peru, o que vai se traduzir em futuras reações negativas, sobretudo, no mercado doméstico. O mercado neste momento está atento para ver quem serão os primeiros indicados para compor o futuro gabinete de Humala, os novos ministros da Economia e Finanças – disse Patrick Esteruales, da agência Moody’s.
Recuperação
Depois da ressaca da derrota das elites econômicas, a Bolsa voltou a subir 7,22%%, nesta segunda-feira, no Peru. Investidores e especuladores se conformam com a vitória da eleição à presidência de Humala, que terá maioria na Assembléia Nacional unicameral com o apoio do partido do ex-presidente Alejandro Toledo. Aliás, não havia nenhuma razão para a queda da Bolsa, nesta terça-feira. “Basta ler o programa da coalizão Gana Peru para chegar à conclusão que era pura vingança ou tentativa de criar um clima de pânico que só prejudicaria o Peru e os mais pobres”, disse o ex-deputado petista José Dirceu, em seu blog.
Ao anunciar sua visita ao Brasil e aos países do Mercosul o presidente eleito já indica sua política externa de integração sul-americana que, para o Brasil, é estratégica. O Peru, além de ser nosso vizinho, viabiliza nossa saída ao oceano Pacífico. Compartilhamos a Amazônia e o Peru já é um parceiro importante do nosso país.
Balança comercial
Crescem, nas relações bilaterais, o comércio, os investimentos e o turismo. Nossas exportações para o Peru somaram US$ 2,02 bilhões no ano passado, com alta de 35,7%. Na pauta, estiveram petróleo bruto, chassis de veículos, tubos, tratores, automóveis e telefones celulares. E importamos US$ 907,1 milhões em 2010, um aumento de 87,3%. Os principais produtos dos peruanos que aqui chegaram foram cobre, minério de zinco, prata, gás natural e azeitonas em conserva.
É bom lembrar, ainda, que a rodovia que liga o Acre ao Pacífico está para ser inaugurada. No Governo Alejandro Toledo e no atual, de Alan Garcia, as relações políticas e diplomáticas foram as melhores.
“Brasil e Peru podem e devem ser parceiros na política de integração dos países andino e o Mercosul, da América do Sul”, concluiu Dirceu.



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