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Com marca de tiro, corpo de Gaddafi será sepultado dentro de 24 horas, mas CNT ainda não disse onde

sábado, 22 de outubro de 2011


Com marca de tiro, corpo de Gaddafi será sepultado dentro de 24 horas, mas CNT ainda não disse onde


Gaddafi
Buraco onde Gaddafi teria sido encontrado nesta quinta-feira, em Sirte; segundo testemunhas, ex-líder gritou "não atirem, não atirem" ao ser capturado
O ex-líder líbio Muammar Gaddafiserá enterrado segundo os rituais muçulmanos dentro das próximas 24 horas, disse um comandante das forças do governo de transição nesta sexta-feira.
Testemunhas disseram que seu corpo tinha um tiro visível na cabeça.
-Ele receberá seu ritual como qualquer um muçulmano, seu corpo será lavado e tratado com dignidade. Espero que ele seja enterrado em um cemitério muçulmano dentro de 24 horas-, disse o comandante Abdul-Salam Eleiwa, em Misrata, onde combatentes estão mantendo o corpo de Gaddafi em um frigorífico em uma antiga área comercial.
Ele disse que não sabia onde na Líbia ocorreria o enterro. Misrata era reduto dos rebeldes anti-Gaddafi que derrubaram o líder líbio durante uma guerra civil de oito meses.
O corpo, que foi mostrado aos combatentes e a uma testemunha da agência inglesa de notícias Reuters, tinha um tiro visível na lateral da cabeça, além de hematomas e arranhões.
Havia sangue no corpo, mas muito menos do que aquele visto em um vídeo de Gaddafi pouco depois de sua captura. Imagens do vídeo sugerem que o corpo foi arrastado pelas ruas e agredido. Não está claro se ele estava vivo ou morto na ocasião.
Enquanto as autoridades decidem sobre o destino do corpo de Gaddafi, as comemorações pela morte do ex-líder continuaram durante a noite em todo o país.
Arrastados pelas ruas
O premiê interino Mahmoud Jibril disse, horas depois de ter anunciado a morte de Gaddafi, que ela ocorreu na cidade de Sirte, em meio a uma troca de tiros entre simpatizantes do coronel e combatentes do CNT.
Segundo Jibril, Gaddafi – que governou a Líbia por 42 anos – foi capturado vivo, mas morreu de ferimentos a bala antes de ser levado ao hospital. O governo nega que o líder líbio deposto tenha sido executado.
Antes, alguns combatentes anti-Gaddafi haviam dado uma versão diferente, alegando que o coronel tinha levado tiros ao tentar escapar.
Um combatente leal ao CNT da Líbia disse que encontrou Gaddafi em um buraco em Sirte e que o ex-líder teria pedido que ele não atirasse. O combatente brandia uma pistola dourada que dizia ter pertencido ao ex-líder.
Há relatos de que Mutassim Gaddafi, filho do coronel e ex-conselheiro de segurança nacional, também teria morrido na ofensiva. Um jornalista, junto com a agência inglesa de notícias Reuters, descreveu como o corpo de Mutassim foi colocado em cima de cobertores no chão de uma casa em Misrata enquanto o público tentava tirar fotos com seus telefones celulares.
Quanto a Saif al-Islam, outro filho de Gaddafi, os relatos são conflitantes. O ministro da Justiça interino, Mohammad al-Alagi, disse à Associated Pressque ele havia sido capturado e levado ao hospital com um ferimento na perna. Mas outro representante do CNT afirmou que o paradeiro de Saif al-Islam é desconhecido.

Greve dos bancários se estenderá por tempo indeterminado

quarta-feira, 28 de setembro de 2011


Greve dos bancários se estenderá por tempo indeterminado


Em assembleias realizadas na noite desta segunda-feira em várias cidades do país, os bancários deflagraram greve nacional por tempo indeterminado, a partir da zero hora desta terça-feira, com o objetivo de pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a retomar as negociações acerca da campanha salarial e apresentar uma proposta que atenda às reivindicações da categoria. A paralisação atinge bancos públicos e privados.
greve
Em assembleia realizada segunda-feira, ficou decidido que a greve dosbancários, que começa nesta terça, será mantida por tempo indeterminado, até que sejam atendidas as reivindicações dos funcionários
O movimento abrange trabalhadoresbancários representados pelos sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Alagoas, Espírito Santos, Campinas, Piracicaba, Juiz de Fora, Dourados, Vitória da Conquista e Teresópolis, entre outros, conforme informações das entidades remetidas para a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
- Novamente os donos dos bancos, que tanto ganham às custas dos brasileiros, forçaram a categoria a entrar em greve, diante da falta de resposta às principais necessidades dos trabalhadores, afirma Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional da categoria, que negocia com a Fenaban.
Juvandia relata que os trabalhadores permanecerão parados até que os banqueiros decidam apresentar propostas que atendam as reivindicações da categoria: aumento real de 5%, valorização dos vales alimentação e refeição, 13ª cesta e auxílio creche/babá de um salário mínimo (R$ 545), PLR de três salários mais R$ 4.500, piso salarial de R$ 2.297,51. Entre as cláusulas sociais, os bancários querem o fim das metas abusivas (causadora de grande número de adoecimentos entre os trabalhadores), o combate ao assédio moral, mais segurança para funcionários e clientes, ampliação do número de postos de trabalho, e medidas para conter as terceirizações das atividades bancárias.
- Esperamos que a greve faça com que os bancos apresentem uma proposta que garanta emprego decente aos bancários. Com lucros acima de R$ 27,4 bilhões obtidos somente no primeiro semestre deste ano, os bancos possuem todas as condições de atender as reivindicações da categoria, disse o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

Ex-comandante, suspeito de mandar matar juíza, é exonerado e preso


Ex-comandante, suspeito de mandar matar juíza, é exonerado e preso


O tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira foi apontado como mandante do assassinato da juízaPatrícia Acioli, em agosto
O tenente-coronel Claudio Oliveira, que comandava o 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Maré, zona norte do Rio, foi exonerado do cargo. Segundo nota divulgada nesta terça-feira pela assessoria de imprensa da corporação, o oficial está detido desde a madrugada na carceragem do Batalhão de Choque.
Ele é suspeito de ser o mandante da morte da juíza Patrícia Acioli, que foi baleada na porta de casa, em Piratininga, Niterói, no mês passado. Na época do assassinato, Claudio Oliveira era comandante do 7º BPM, em São Gonçalo.
Mais três militares, suspeitos de envolvimento no crime, estão presos. A pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda foram transferidos, na semana passada, da Unidade Prisional da PM, em Benfica, na zona norte, para unidades diferentes.
A Justiça do Rio tinha decretado a prisão do ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) – e dos outros outros cinco policiais militares do Grupo de Ações Táticas do Batalhão de São Gonçalo – com base no depoimento de um dos cabos que participou da execução da juiza e estaria sendo ameaçado de morte.
O cabo disse ao juiz Peterson Barroso Simões que o tenente-coronel era o mandante do crime, entrou no programa de proteção a testemunhas e poderá ser beneficasdo com uma pena menor por delação premiada. Além de denunciar toda a trama, o cabo participou de uma antecipação de prova.
PMs do Batalhão de São Gonçalo foram acusados de forjar um auto de resistência durante uma operação policial em que o jovem Diego de Souza Beliene, de 18 anos, foi morto no Complexo do Salgueiro, São Gonçalo, em junho. As prisões de três PMs envolvidos foram decretadas por Patrícia horas antes de a magistrada ser executada.
Imagens da juíza Patrícia Acioli sendo seguida pelos assassinos ajudaram a polícia a desvendar a mecânica do crime. Nas gravações, dupla de moto é flagrada por câmeras de segurança e de trânsito perseguindo o carro da magistrada por 40 minutos, em sete pontos distintos, desde que ela deixou o Fórum de São Gonçalo até ser morta na Região Oceânica de Niterói, pouco antes da meia-noite de 11 de agosto.

Governador participa de Caminhada pela Paz no Trânsito

segunda-feira, 19 de setembro de 2011


Governador participa de Caminhada pela Paz no Trânsito
Foto: Manu Dias / Agecom
A Caminhada pela Paz no Trânsito, realizada na manhã deste domingo (18), na Barra, reuniu cerca de 3 mil pessoas e contou a presença do governador Jaques Wagner, além do prefeito João Henrique, do ministro dos Transportes Mário Negromonte e do presidente da Assembleia, Marcelo Nilo. O passeio que foi do Morro do Cristo até o Farol da Barra marcou o início da Semana Nacional do Trânsito, que busca conscientizar os brasileiros para reduzir o número de vítimas em acidentes nas estradas do país. Wagner lembrou que o número de vítimas, embora tenha sido reduzido desde o último ano, ainda é alto, e apontou o álcool como principal vilão. “Vamos fiscalizar a questão do uso do álcool, na medida em que esta é uma das principais causas de acidentes de trânsito. Então, na minha opinião, seria importante e nós podemos fazer isso, ampliar o número de blitzen para controle do álcool na direção”, afirmou.

Na caçada aos corruptos, PF cumpre 38 mandados de prisão no Ministério do Turismo

quinta-feira, 11 de agosto de 2011


Na caçada aos corruptos, PF cumpre 38 mandados de prisão no Ministério do Turismo

Por Redação, com ABr - de Brasília
Turismo
Homens da PF chegam ao Ministério do Turismo para cumprir os mandados de prisão
A Polícia Federal informou o cumprimento, na manhã desta terça-feira, de 38 mandados de prisão no Ministério doTurismo: 19 de prisão preventiva e 19 de prisão temporária. De acordo com a assessoria da PF, o alvo da operação são servidores do ministério acusados de corrupção e tráfico de influência.
A Polícia Federal ficou de apresentar mais detalhes sobre a operação ao longo dos próximos dias e prefere não revelar integralmente os próximos passos para não colocar em risco as investigações em curso. A assessoria do Ministério do Turismo disse não ter conhecimento sobre os motivos que levaram à operação nem informações de quem são os servidores.
Entre os presos está o secretário-executivo do ministério, Frederico Costa, e o ex-secretário-executivo da pasta, Mário Moyses. A Operação Voucher investiga desvios relacionados a convênios de capacitação profissional no Amapá. Costa foi nomeado em janeiro pelo ministro Pedro Novais (PMDB) e Moysés dirigiu a Embratur até o mês passado. Moyses é ligado ao PT e assessorou a ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, enquanto Colbert teria sido indicado pelo ex-deputado Geddel Vieira Lima.
A PF mobilizou cerca de 200 agentes, divididos em São Paulo, Brasília e Macapá, no cumprimento dos 19 mandados de prisão preventiva, 19 mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão.

Aeronave que caiu no Recife estava regular, diz Anac

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Aeronave que caiu no Recife estava regular, diz Anac
AE
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou na tarde de hoje que a aeronave da empresa aérea Noar, que caiu na manhã de hoje no Recife, encontrava-se regular em seus registros. O comandante Rivaldo Paurilio Cardoso e o copiloto Roberto de Souza Gonçalves também encontravam-se em situação regular. O acidente aconteceu por volta das 6h50 e deixou 16 mortos.
A aeronave possuía Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido até 23 de abril de 2025, Relatório de Condição de Aeronavegabilidade (RCA) válido até 30 de junho de 2013 e situação de aeronavegabilidade normal, segundo a Anac. Ela foi fabricada em 2010, teve seu CA emitido em 15 de julho do mesmo ano e entrou em operação no dia 16 de julho.
Ainda de acordo com a Anac, a empresa aérea começou a operar no transporte regular de passageiro em 14 de julho de 2010 e transportou 37.168 passageiros naquele ano. Não houve, desde então, registro de acidentes envolvendo a empresa. A Anac deslocou servidores para o Nordeste para prestar assistência aos familiares das vítimas do acidente. A Noar abriu uma sala de crise e suporte aos familiares no Recife e em Natal.

PF e Receita fazem operação contra fraudes em importações

quarta-feira, 29 de junho de 2011


PF e Receita fazem operação contra fraudes em importações

 Redação, com ABr - de Brasília
A Operação Pomar contou com 301 agentes da Polícia Federal e 136 auditores fiscais
A Polícia Federal e a Receita Federal iniciaram uma ação conjunta nesta terça-feira para combater a importação de mercadorias de forma irregular e o envio de divisas ao exterior ilegalmente. Com as práticas, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 1,4 bilhão.
São alvo da ação duas quadrilhas, que, por meio de “laranjas”, realizavam operações ilegais de comércio exterior. A Justiça Federal em São Paulo expediu 17 mandados de prisão e 67 de busca e apreensão em oito Estados, além do Distrito Federal. Participaram da Operação Pomar 301 agentes e 136 auditores fiscais.
As investigações da Polícia Federal e da Receita apuraram em quatro anos que as quadrilhas usavam pessoas jurídicas com capacidade financeira incompatível com as transações que faziam. Também foi constatado que a mercadoria que entrava de forma ilegal no país por diversos portos era levada até a cidade de São Paulo, onde era armazenada e distribuída.
Os acusados de participar da quadrilha devem responder pelos crimes de descaminho, sonegação fiscal, formação de quadrilha, falsidade ideológica, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Encontrada última vítima de acidente do helicóptero na BA

quarta-feira, 22 de junho de 2011


Encontrada última vítima de acidente do helicóptero na BA

  Redação, com agências - de Porto Seguro
O corpo de Jordana Kfuri Cavendish, que estava nohelicóptero, foi encontrado numa praia perto de Trancoso
O corpo encontrado na manhã desta terça-feira, na praia de Pitangueiras,  que fica próxima a Porto Seguro, é da última pessoa desaparecida após a queda dohelicóptero na sexta-feira, em Trancoso, no sul da Bahia.
O marido de Jordana Kfuri Cavendish não teve condições emocionais para fazer o reconhecimento  do corpo, mas um amigo da família confirmou a identidade de Jordana.
Agora, as equipes da Equipes da Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira (FAB), o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil, irão se concentrar na retirada dos destroços do helicóptero para realização de perícia e investigação sobre as causas do acidente.
A aeronave levava sete pessoas que tinham deixado o Rio para passar o fim de semana em um resort. No fim da tarde desta segunda-feira, foi localizado o corpo da sexta vítima, o empresário Marcelo Mattoso Almeida, que pilotava o helicóptero e era o dono do resort para onde o grupo viajava.
Entre as vítimas do acidente está a estudante Mariana Noleto, de 20 anos, namorada de Marco Antônio, filho do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Também morreram o menino Luca, filho de Jordana (última desaparecida), a irmã dela, Fernanda Kfuri, de 35 anos, o sobrinho, Gabriel Kfuri Gouveia, de 2 anos, e a babá das crianças, Norma Assunção, de 49 anos.

O grupo participaria da festa de aniversário do empreiteiro Fernando Cavendish. O governador Sergio Cabral e o filho Marco Antonio também participavam da viagem, mas só embarcariam na segunda viagem da aeronove, que não tinha capacidade para levar todos.
O empresário que pilotava o helicóptero estava com as habilitações para pilotar helicópteros vencidas, de acordo com Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O empresário usou a matrícula do piloto Felipe Calvino Gomes para ter sua decolagem liberada no aeroporto de Porto Seguro.

Impunidade e sensação de ameaça preocupam ambientalistas

segunda-feira, 6 de junho de 2011


Impunidade e sensação de ameaça preocupam ambientalistas

  Por Redação, com RBA - do Rio de Janeiro
militantes
Um dos principais militantes pela causa amazônica, o cacique Raoni chorou ao saber que IBAMA liberou o inicio das construções da usina de Belo Monte
Enquanto o governo discute a implementação de medidas para reduzir a violência na Amazônia e a polícia prossegue nas investigações sobre os recentes assassinatos de ambientalistas, osmilitantes das localidades onde ocorreram os crimes permanecem expostos ao risco. Eles têm idéia de quem os ameaça, mas calam sobre o que sabem, com medo de se tornarem novas vítimas. Rede que agrega mais de 600 organizações socioambientalistas, o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) afirma que já está recebendo inúmeros apelos de militantes que atuam no meio da floresta e estão se sentindo ameaçados.
“A ameaça aos militantes da causa ambiental na Amazônia tem sido constante, mas nos últimos anos havíamos percebido um recuo dos desmatadores e seus pistoleiros porque eles tinham uma maior sensação da presença do Estado. Com o anúncio das mudanças no Código Florestal, você observa um aumento gritante do desmatamento e da violência porque se acenou com a possibilidade da impunidade. Toda a sensação de que o Estado está cuidando e gerindo do patrimônio da União na Amazônia simplesmente morreu”, diz Rubens Gomes, presidente do GTA.
Em relação às investigações, a orientação é não se sobrepor ao trabalho da polícia na busca pelos assassinos.
– Não dá para citar nomes porque não temos nomes. Se tivéssemos, já tínhamos mandado prender. Nos lugares onde aconteceram os crimes, se você perguntar, ninguém sabe. Agora, as lideranças que perdemos – e que são, todas, lideranças forjadas na luta – tinham feito denúncias públicas e o Estado nunca tomou a iniciativa de averiguar – diz Gomes, antes de fazer uma observação que demonstra o desespero dos militantes com o clima de medo e impunidade que impera na região.
Gomes ressalta a fragilidade da posição dos militantes ameaçados:
– Os ambientalistas que moram na floresta são prestadores de serviço para o bem da população e da nação brasileira, mas não têm por lá escritórios de advocacia preparados para um enfrentamento jurídico com os desmatadores. Na floresta não existe isso, mas, mesmo sem poder registrar queixas, os ameaçados fizeram denúncias públicas. Infelizmente, não adiantou – lamenta.
Denúncia e silêncio
A Ouvidoria Agrária Nacional, por determinação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, está acompanhando as investigações da polícia. Em entrevista ao jornal O Globo, o desembargador Gercino Filho, ouvidor agrário, admitiu que tanto Adelino Ramos (presidente do Movimento Camponeses Corumbiara assassinado em 27 de maio em Rondônia) quanto o casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva (militantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas assassinados em 24 de maio no Pará) haviam denunciado publicamente as ameaças que sofriam.
Enquanto a polícia não avança e a realidade mostra que denunciar não significa garantir proteção, a sensação de quem está na linha de frente é de medo. No município paraense de Nova Ipixuna, onde moravam e trabalhavam José Cláudio e Maria, ninguém quer falar nada sobre as investigações, mas uma lista com o nome das pessoas que vinham fazendo ameaças ao casal foi encaminhada à polícia. A militância dos dois era concentrada no assentamento Praialta/Piranheiras, reduto de floresta em meio à devastação muito cobiçado pelas madeireiras, o que pode facilitar a identificação dos criminosos.
Em Vista Alegre do Abunã, onde Adelino Ramos foi morto, as investigações prometem andar mais rápido após a prisão do agricultor Ozéas Vicente Machado, apontado pela polícia como principal suspeito do crime. Ozéas, afirma a polícia, tinha ligações com donos de empresas extrativistas em Rondônia e, segundo testemunhas, já fora visto pelo menos três vezes discutindo com Adelino e ameaçando o ambientalista por causa de suas denúncias contra a exploração ilegal de madeira na região.
Madeireiras ilegais
Diante de tantas evidências, ainda que nomes de criminosos não tenham sido revelados, os ambientalistas pedem que o poder público intensifique o combate às madeireiras ilegais:
– Temos hoje dados sobre a economia marginal gerada com o desmatamento ilegal na Amazônia. É uma economia de bilhões de reais, o volume de recursos é muito grande, não estamos falando de algo insignificante. Contra esse produtor ilegal é que se trava esse combate. Lamentavelmente, na ausência do Estado, ficam as lideranças fazendo o enfrentamento em nome do poder público. Aí, é claro que o elo mais fraco termina sendo destruído – diz Rubens Gomes.
O presidente do GTA faz outra constatação:
– Nós não somos preparados para lidar com bandidos. Somos preparados para mobilizar, organizar, buscar fazer uma produção sustentável, mas não para fazer enfrentamento com bandidos, não temos essa expertise. Somos cidadãos comuns, da paz, que temos a consciência do ambiente em que vivemos e da necessidade que temos de manter a nossa qualidade de vida e a de nossos companheiros. Quando o Estado faz um assentamento ou uma Unidade de Conservação e não os implementa, deixando lá as lideranças para fazer o enfrentamento, isso propicia o resultado que estamos vivenciando – diz.
Gomes aponta mais uma vez o que acredita ser um efeito da aprovação das mudanças no Código Florestal sobre os criminosos na Amazônia.
– Essa sinalização liberou um setor que estava reprimido quando o Estado se fez presente ao colocar comandos de controle, baixar o desmatamento em mais de 50%, fazer enfrentamentos, cortar na própria carne e diminuir a corrupção no Incra e no Ibama. Essa maior presença do Estado havia feito esse povo que desmata dar uma recuada. Mas, com a sinalização de que a coisa afrouxou, eles estão voltando com uma ansiedade muito grande. É uma coisa absurda e assustadora – concluiu.
Protesto indígena
A questão amazônica também mobiliza as nações indígenas locais, que visam novos protestos contra a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Xingu. No início da semana passada, o cacique Raoni chorou ao saber que IBAMA  liberou o inicio das construções da usina de Belo Monte, mesmo após cartas dirigidas a Presidenta Dilma, que foram ignoradaa e ainda mais de 600 mil assinaturas que foram igualmente ignoradas.
– A sentença de morte dos povos xingus esta decretada. Belo Monte seria maior que o Canal do Panamá, inundando pelo menos 400.000 hectares de floresta, expulsando 40.000 indígenas e populações locais e destruindo o habitat precioso de inúmeras espécies – tudo isto para criar energia que poderia ser facilmente gerada com maiores investimentos em eficiência energética – disse um dos militantes.
 

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